O genocídio em Gaza e a manipulação pelos meios digitais
Existe algo que tem ocorrido de dez anos para cá que é o acirramento da internacionalização da política. Desde a campanha de Donald Trump nos Estados Unidos em 2015 e a sua eleição em 2016, vemos que debates que antes se restringiram por muito tempo apenas à esfera nacional começaram a se internacionalizar. Mais do que isso, começou a haver nas redes sociais - sobretudo no Facebook, nesta época o instagram ainda não era uma rede massivamente utilizada, e o TikTok nem existia (ele foi criado em 2017) - um trabalho que parece que já vinha sendo feito desde 2013, do controle e impulsionamento digital de certas bandeiras e pautas alinhadas a um discurso de direita e extrema direita, que foi ganhando fôlego em 2015 culminando com a eleição de Trump nos EUA com uma massiva campanha de fakenews. Isso foi visto na época como uma oportunidade de aprendizado para que o mesmo não ocorresse no Brasil, porém não houve tempo nem vontade política hábil para a votação de uma lei contra as fakenews, apenas foi anunciado um mecanismo pelo ministro Luiz Fux na época presidente do TSE de que iria montar uma força tarefa contra as fakenews no TSE com a ajuda da imprensa, a Justiça Eleitoral, agências de inteligência governamental (sabe-se lá o que seja isso) e as Forças Armadas. Porém no final sabemos como nada disso foi feito: a campanha de B0lz*n@rx trabalhou com fakenews do início ao fim e dessa forma conseguiu ganhar a eleição em 2018, sendo eleito para a gestão em 2019 a 2022.
Desde então, pautas que antes eram tidas como estritamente nacionais, passaram a operar não só numa espécie de conluio entre grandes líderes pelo mundo, mas como também uma necessidade da própria população de debater assuntos internacionais. Até 2013, não era comum para o brasileiro de baixa renda debater questões nacionais. Em 2013 a política nacional começa a entrar na boca da população, e todo mundo parece de repente perceber a importância de se engajar e se informar politicamente com o objetivo de escolher melhores representantes após o escândalo do Mensalão e da Lava-Jato.
Porém em 2019 isso ganha uma outra roupagem: a internacional. Deste ano em diante, as pautas políticas que tratamos no Brasil passaram a não ser mais as domésticas, e sim as internacionais.
Tenha sido isso um movimento natural, ou tenha sido isso manipulado pelos meios digitais para que a população se acirrasse no engajamento e na fixação emocional desses debates (o que eu desconfio muito), isso fez com que hoje estejamos num momento onde as pautas políticas viraram pautas não mais nacionais e sim internacionais.
Com isso, fazer e falar de política no país virou não mais discutir e resolver os nossos problemas internos, e sim discutir e resolver os problemas dos outros, de fora. Isso cria um perigosíssimo precedente, onde a população não só para de se preocupar com os problemas que precisam ser resolvidos no nosso país e passam a se preocupar com o problema de outros países, como passam a ser manipulados por um projeto hegemônico de poder onde para alcançá-lo se defendem pautas que irão beneficiar a estes países, e acirrar o conflito e a tensão entre as pessoas, pois como diz a estratégia: dividir para conquistar. Além disso, a política começa a ultrapassar a esfera nacional e países parecem agora ser governados por outros. O ponto máximo disso no Brasil foi a tentativa de interferência de Trump na política brasileira neste ano citando a Avenida Paulista, os camelôs e a tentativa de interferir em decisões judiciais no Brasil a pedido de Flávio B0lz*n@rx.
Porém, o problema é que quem detém a maior parte do dinheiro e que financia essas bigtechs e redes sociais são pessoas com muito dinheiro. Geralmente pessoas que pertencem a uma casta da população, e portanto, trarão uma única visão de mundo.
O genocídio em Gaza é a excressência do máximo deste desequilíbrio. De quem acompanhou ao vivo, quase em tempo real o genocídio que foi feito em Gaza, eu presenciei centenas e milhares de evidências mostrando como a tecnologia foi utilizada não só para achar e matar pessoas, como foi utilizada para distorcer a opinião pública. E isso foi feito não apenas em Gaza e em I$r@&l, mas no mundo inteiro. Na verdade, Gaza foi utilizada como um campo de treinamento de todas essas novas tecnologias de vigilância, IAs a serviço da guerra e robôs feito para matar como drones que perseguiam e matavam crianças em suas tendas, e jogavam bombas em famílias inteiras (teve um caso de um drone que jogou uma bomba em uma menina de 7 anos que estava carregando um galão de água).
Hoje chegamos a uma situação extremamente preocupante. As pessoas foram tão lobotomizadas e foi feita tanta fakenews, que qualquer comentário ou evidência que você mostre estão lhe acusando que você está “defendendo o Hamas”. Quando na verdade, estamos apenas mostrando a face da moeda que não está sendo mostrada, e o lado da história que não está sendo contado, e que as bigtechs e os governos autoritários como o de I$r@&l e EUA não mostram, inclusive tentam silenciar a todo custo (o algorítmo do instagram foi projetado para diminuir o alcance de quem posta sobre Gaza, e eu vejo isso 24h sempre que eu posto. Pois sempre que eu posto sobre qualquer outro assunto que não seja a Palestina, eu recebo muito mais visualizações).
O ativismo que eu faço é algo totalmente voluntário, eu nunca ganhei 1 tustão pelo que eu faço. E eu já faço isso a 12 anos. O que me move é o sofrimento das pessoas, ajudar as pessoas mais pobres, rejeitadas e necessitadas, e o meu profundo sofrimento vendo isso tudo acontecer depois de muito sofrimento que eu também já vivi e tive que enfrentar ao longo da minha vida. Se hoje estou no ativismo humanitário não foi por escolha, e sim porque eu sofri muito e um dia busquei dar vazão a todo o sofrimento que eu vinha tendo.
Gostaria de aprofundar mais sobre este assunto atual e o genocídio em Gaza, tem muita coisa para falar, mas farei mais isso no futuro. Por hoje termino por aqui trazendo este alerta e reflexão.
Com todas essas tecnologias sendo utilizadas para manipular a população, botar pessoas umas contras as outras, subverter a história e esconder a verdade, estamos entrando numa era extremamente perigosa e distópica, que é a era das tecnoautocracias digitais.
Vi F (Vivian Fróes)
29 de Dezembro de 2025
Fontes:
https://fepal.com.br/israel-firma-novo-contrato-com-google-para-espalhar-propaganda-e-fake-news/
https://diplomatique.org.br/censura-noticias-falsas-israel-palestina/
https://www.nytimes.com/2024/06/05/technology/israel-campaign-gaza-social-media.html
https://untoldmag.org/killing-intelligence-death-by-tech-and-other-ordinary-horrors-in-gaza/
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